Pisciculturas no rio alarmam população; moradores denunciam degradação e falta de fiscalização
Tanques instalados no leito do rio, água esverdeada, cheiro forte e mortandade de peixes têm preocupado moradores. Produtores são acusados de degradar o curso d’água e a fiscalização local é apontada como insuficiente. Autoridades não se pronunciaram até o momento. No Paraná, modelo fora do rio é citado como alternativa mais regulada.
Corpo:
Moradores de comunidades ribeirinhas relatam nos últimos meses alteração na cor e no cheiro da água, além de aumento na mortandade de peixes próximo a trechos onde tanques de piscicultura foram instalados diretamente no rio. “A água ficou esverdeada, fede, e os peixes estão aparecendo mortos na margem”, diz uma moradora local. Pessoas ouvidas preferem manter anonimato por receio de represália.
Segundo relatos, tanques e estruturas para criação estão espalhados ao longo do curso navegável, reduzindo a passagem de embarcações e dificultando a remoção de dejetos orgânicos e materiais acumulados. Moradores e ribeirinhos afirmam que a remoção desses resíduos tem se tornado cada vez mais rara, agravando a sensação de abandono ambiental.
A comunidade acusa algumas pisciculturas de práticas que degradariam o rio, como descarte inadequado de resíduos e uso intensivo de alimentos e insumos, mas não há, até o momento, confirmações oficiais de autuações ou laudos públicos que atestem as causas das alterações observadas. Especialistas ambientais consultados informalmente alertam que a concentração de matéria orgânica e nutrientes pode causar proliferação de algas, falta de oxigênio e mortandade de peixes, entre outros impactos.
Autoridades: silêncio e pedidos de esclarecimento
Procuradas, autoridades municipais e órgãos ambientais não comentaram oficialmente o caso até a publicação desta matéria. Moradores dizem ter protocolado pedidos de vistoria e denúncias, sem retorno claro. A ausência de informação oficial aumenta a apreensão local e alimenta suspeitas sobre a insuficiência de fiscalização.
Comparativo: modelo “fora do rio” e regras no Paraná
Como contraponto, produtores e técnicos citam experiências de piscicultura em tanques escavados ou sistemas em terra — modelos que, segundo regulamentos em estados como o Paraná, seguem normas de licenciamento, controle de efluentes e exigem fiscalização periódica. Além de reduzir o risco aos trabalhadores (por não se trabalhar diretamente no leito do rio), essas instalações costumam permitir melhor gerenciamento de resíduos e menor impacto direto no curso hídrico quando bem licenciadas e fiscalizadas.
Repercussão e recomendações
Líderes comunitários pedem ações imediatas: vistorias técnicas, análises da qualidade da água, medidas para remoção de tanques que prejudiquem a navegação e aplicação das normas ambientais cabíveis. Especialistas sugerem laudos sobre parâmetros como oxigênio dissolvido, presença de nutrientes (nitrogênio e fósforo), coliformes e toxinas de algas para identificar causas da mortandade de peixes.
Conclusão
Enquanto a população segue preocupada com a degradação percebida, a falta de posicionamento público das autoridades e a escassez de fiscalizações alimentam o conflito entre desenvolvimento aquícola e proteção do rio. Modelos de piscicultura em terra, regulados e fiscalizados, são apresentados por alguns como alternativa para reduzir riscos ambientais e operacionais — mas a solução exige ação institucional, transparência e monitoramento técnico contínuo.
Recomendo: protocolar denúncias formais com pedidos de vistoria, solicitar análises de qualidade da água e divulgação pública dos resultados, e promover diálogo entre comunidade, produtores e órgãos ambientais para buscar soluções sustentáveis.
