DestaquePolíticaRegiãoRubinéiaSanta Fé do Sul

A tragédia que abalou uma jovem família do interior de São Paulo ganhou contornos ainda mais dolorosos nos últimos dias.

 

Felipe de Almeida Borges, um homem de apenas 25 anos, natural da região de Santa Fé do Sul (SP) e Três Fronteiras, perdeu a vida em combate na guerra entre Ucrânia e Rússia. Ele foi atingido por um drone em sua primeira missão, no mês de dezembro de 2025, segundo relatos da família. A notícia da morte chegou à mãe, Clarice Batista de Almeida, no último sábado (17 de janeiro de 2026).
Felipe trabalhava como tratorista em uma usina de cana-de-açúcar na região, uma vida simples no campo, lidando com o dia a dia da lavoura e da produção agrícola. Ele largou tudo — o emprego estável, a rotina conhecida — para se alistar voluntariamente no conflito distante, que não era dele. A motivação, segundo a família, era clara e comovente: proporcionar uma vida melhor para a jovem esposa e para o filho pequeno do casal.
A viúva, ainda muito jovem e abalada, desabafou sua dor e confusão em meio ao luto. Ela não entende por que o marido mentiu sobre o destino da viagem, dizendo que ia para “uma terra” em busca de oportunidades, quando na verdade partia para o front de guerra. “Ele só queria dar uma vida melhor para mim e para o nosso filho”, afirmou ela, em relatos que circulam entre familiares e conhecidos. A mentira, provavelmente para protegê-la da angústia, agora se soma à tristeza infinita de tê-lo perdido para sempre.
O corpo de Felipe ainda não foi resgatado nem repatriado. A família enfrenta a burocracia internacional e clama por ajuda para trazer o jovem de volta ao Brasil, para que possa ser velado e sepultado em solo brasileiro, junto aos entes queridos. A mãe, Clarice, expressou publicamente o sofrimento: “Ele foi para servir a uma guerra que não era dele. Pensou que daria uma vida melhor para a mulher dele e montar o próprio negócio. Mas morreu lá. Nada mais justo que mandarem meu filho de volta.”
Casos como o de Felipe destacam o drama humano por trás das estatísticas da guerra: jovens de origens humildes, movidos pelo sonho de melhorar a condição da família, acabam pagando o preço mais alto. A jovem viúva agora cria sozinha o filho, carregando o peso da ausência, da saudade e das perguntas sem resposta. A comunidade local e amigos acompanham com comoção, na esperança de que o Itamaraty e as autoridades ucranianas agilizem o processo de translado.
Que o descanso eterno traga algum alívio à dor dessa família destruída por uma decisão tomada em nome do amor e da esperança.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *