Polícia

Homem que matou idosa após ouvir `bom dia` tem esquizofrenia paranóide, aponta laudo pericial

11 Fev 2020
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Um laudo médico pericial aponta que Eduardo Liboni Sella, de 36 anos, acusado de esfaquear e matar a aposentada Ana Silvia de Almeida Lorenzato Andrião, de 65 anos, em janeiro deste ano, sofre de esquizofrenia paranoide.

De acordo com o documento anexado ao processo, no momento do crime, Eduardo apresentava delírios persecutórios. Por causa da doença mental, para ele, Ana Silvia fazia parte de um grupo que o perseguia e se dirigia a ele na rua com palavras como “bom dia”.

Segundo a Polícia Civil, Ana Silvia foi atacada em uma praça na zona Sul de Ribeirão Preto/SP após cruzar com o rapaz e cumprimentá-lo com a frase.

Os psiquiatras responsáveis pela avaliação recomendaram que Sella seja internado em um hospital de custódia. Ele está preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Ribeirão Preto.

O Ministério Público (MP) informou que vai acolher o resultado do laudo e que acompanhá a transferência de Sella a um hospital psiquiátrico, o que pode acontecer em até dois meses.

Facadas

Ana Silvia morreu no dia 14 de janeiro, dez dias após ser atacada na Praça Mateus Nader Nemer, conhecida como Praça da Bicicleta, no bairro Jardim Santa Ângela. Câmeras de segurança registraram quando ela passou pelo rapaz, que tirou uma faca da mochila e passou a golpeá-la. Ela sofreu 12 perfurações, ficou internada na Santa Casa, mas não resistiu à gravidade do quadro.

Sella foi preso em flagrante, no apartamento onde morava no Jardim Irajá, também na zona Sul. No momento da prisão, ele alegou aos policiais militares que tinha esquizofrenia.

O analista de sistemas foi acusado de homicídio com seis qualificadoras: motivo fútil, meio cruel, recurso que dificultou defesa da vítima, feminicídio, menosprezo e discriminação à condição de mulher e pelo fato de a vítima ter mais de 60 anos de idade.

A defesa alegou que Sella não tinha consciência dos próprios atos quando esfaqueou Ana Silvia.

De acordo com o laudo pericial emitido em 29 de janeiro, o rapaz começou a apresentar sintomas de transtorno mental aos 22 anos, quando foi internado pela primeira vez e recebeu o diagnóstico de esquizofrenia. Sella chegou a fazer acompanhamento psiquiátrico, mas interrompeu o tratamento porque acreditava que não tinha problemas de saúde.

A família chegou a tentar uma internação compulsória, mas ele fugiu para Ribeirão Preto, onde passou a residir em 2018. Vizinhos relataram que ele tinha um perfil agressivo.

Ainda conforme o laudo, por causa dos delírios, Sella chegou a registrar boletins de ocorrência, alegando que era perseguido por um grupo que usava tatuagens de rosa e caveiras. De acordo com o acusado, tais pessoas tentavam arruinar a vida financeira dele, fazendo empréstimos em seu nome, e bloqueando sua internet.

“Nos seus delírios, essas pessoas que lhe perseguiam lhe diziam várias coisas na rua, inclusive bom dia, sendo que a vítima, ao cumprimentar o réu com bom dia, estava lhe ameaçando, e sua reação foi golpear a vítima com a faca, como forma de reagir à ameaça, que segundo seu delírio estava sofrendo”, aponta o laudo médico.

Ainda segundo o laudo, na época do crime, Sella apresentava dependência de maconha e fazia uso abusivo de álcool, o que agravava a doença.

“No momento, se apresentava com delírios persecutórios, que lhe privavam inteiramente da ilicitude dos fatos, por doença mental”, consta no documento.

Com o laudo, segundo o promotor Marcus Túlio Nicolino, Sella não deverá mais ser levado a júri popular. A Justiça deve se manifestar sobre a transferência do acusado para uma instituição psiquiátrica, onde ele deverá cumprir a sentença como medida de segurança.



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